A ideia desse blog começou com 0 livro "O Clube do Filme", de David Gilmour, onde um rapaz desinteressado da escola é convidado pelo pai (crítico de cinema) a abandonar os estudos, desde que os dois assistissem juntos a pelo menos três filmes por semana. Minha esposa (na época namorada) Elaynne me presenteou com este livro, e decidimos fazer algo parecido: assistir a um filme por semana em casa.
Fizemos uma lista inicial de 36 filmes, sendo 18 escolhidos por mim e 18 por ela. Sorteamos um filme para assistir e já indicamos qual será o seu substituto na lista. Ou seja, isso não vai acabar nunca. Eu tomei a iniciativa de comentar os dois primeiros filmes que assistimos, daí criamos o hábito de comentar cada filme que assistimos, sendo que os meus filmes são comentados pela Elaynne e os dela, por mim.
Os comentários apresentam muitos spoillers. Por isso, se você gosta de surpresas, não vai gostar de ler nossos comentários. Se pra você tanto faz, ou se já assistiu aos filmes, aposto que vai se interessar em nossos comentários, mesmo que não concorde com todos.
Espero que curtam nosso interesse por cinema. Se gostou do blog, nos ajude a divulgar.

Carlos Henrique

20 junho, 2012

40 dias e 40 noites (Elaynne)


É, acho que dessa vez não vou ter muito o que dizer sobre o filme, mesmo.
Vejamos: um cara que decide passar 40 dias sem contato algum com mulher. Dá pra fazer um filme disso? E não é que deu? E não saiu um filme ruim, não. Até que foi um filme bonzinho. Engraçado, como deve ser. Com piadas diferentes, e também com as velhas piadas de filmes sobre sexo, namoro e juventude. Nada de extraordinário, nada fora do comum deste gênero de filme. É um filme bonzinho, que dá pra divertir, mas que eu não colocaria na minha lista.
Mas teve duas coisas que me chamaram a atenção nesta história. Primeiro é que eu nem imaginava que os quarenta dias eram a quaresma. Um período em que muitos cristãos (especialmente católicos) decidem abrir mão de algo que gostam muito, para relembrar os quarenta dias em que Cristo esteve no deserto, antes de começar sua missão. No caso, Matt decidiu abrir mão da vida que levava depois do fim do seu namoro com Nicole. Uma vida sem regras, onde o principal objetivo era curtir e pegar todas, mas que já estava começando a lhe fazer mal.
Olhando por este lado, no início não foi tão difícil assim para Matt abrir mão do sexo, já que ele estava começando a ficar paranoico. O que, a meu pouco entender, não é o objetivo do sacrifício da quaresma. Neste período, até onde eu saiba, você precisa abrir mão de algo que realmente vá lhe fazer falta, que você sinta ausência mesmo, não só nos últimos dias, mas em todos. Bem, posso estar errado, afinal não sou a melhor pessoa pra falar disso, mas imagino que deva ser assim.
De qualquer forma, eu tenho a minha própria visão de abrir mão das coisas em nome de Cristo, e vai bem mais além do que um período no ano. É mais profundo e mais compromissado, e renovado continuamente, durante os 365 dias do ano. Mas, é um entendimento pessoal, e se eu começasse a falar sobre isso aqui, ia acabar fugindo do tema do filme. Mas eu sempre me lembro do versículo (no livro de Samuel, eu acho), que diz: “Obediência quero, e não sacrifícios”. Tento lembrar dele sempre.
A segunda coisa que me chamou a atenção foi a abordagem dada ao amor de Matt e Érica. Nada de erotismo, de banalização do sentimento. Exatamente pelo voto feito por Matt, ele pode descobrir um outro lado do amor que até então ele não conhecia: o amor verdadeiro, que não depende de nada (principalmente sexo) para existir e para continuar existindo, depende apenas de você mesmo.
No mundo atual, o pensamento dominante entre os homens é que, se você me ama, então vamos fazer sexo. Se você não quiser fazer sexo comigo, é porque não me ama. Com as mulheres é parecido: se você me ama, vamos fazer sexo. Se você não quer fazer sexo comigo, ou não me ama ou é gay. Dá no mesmo. Eu diria que 98% das pessoas pensam assim.
Como se o amor pudesse se resumir a momentos de prazer físico. Nada disso. O amor é muito maior que sexo, o amor é maior que tudo. O amor é um sentimento perfeito, que implica pertencimento e comprometimento, implica em dar o melhor de si, dar a própria essência em favor da pessoa amada. O amor requer ação, porém a maioria das pessoas prefere o amor passivo (ser amado) que o amor ativo (AMAR).
Tudo isso é consequência da banalização não só do amor, mas também do próprio sexo. Sexo é ótimo, faz parte da natureza do ser humano, do nosso desejo. Fomos criados também para fazer sexo. Mas, sem amor, é vazio, oco, irracional. Não é aproveitado da mesma forma. Sexo com amor é perfeito. É como todo mundo deveria experimentar. Foi o que Matt experimentou quando conseguiu, finalmente, ficar com Érica. Após conhecê-la bem, conviver com ela por dias, desenvolver uma amizade bonita, ele sabia que a amava. E quando ficaram juntos, o momento foi muito melhor do que teria sido se eles tivessem feito sexo na primeira vez em que ele foi deixá-la na porta de casa.
Esta abordagem do filme, sim, valeu a pena, por fugir do que se vê normalmente em comédias românticas, que é muito sexo e pouco amor. Em “40 dias e 40 noites”, a gente vê o amor nascer entre duas pessoas, amadurecer, passar por provações e dificuldades e ainda assim se manter. Sem ser preciso o sexo entrar no meio. E depois que os dois entendem a força do amor que sentem, e que este sentimento é maior que qualquer outra coisa que eles possam viver juntos, ficam juntos aproveitando muito melhor aquele momento, tão esperado pelos dois.
Esperar. O mundo não está disposto a esperar nada. Tudo é urgente. Tudo é pra ontem. Nada pode ser pra daqui a pouco, ou para a hora certa. A hora certa é sempre agora. E na verdade, não é bem assim. Quando as coisas acontecem a seu tempo, na hora certa, no momento exato, chegam com um sabor melhor, com uma qualidade melhor. Esperar pelo amor pode até dar trabalho, a pessoa pode até perder as esperanças em determinado momento. Mas vale a pena. Sempre vale a pena. Posso dizer por experiência própria. Tem valido a pena ter esperado por você.




03 junho, 2012

Sweeney Toddy - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Carlos)


Nunca fui muito de assistir musicais, achava que eles seriam meios chatos, porém depois de "O fantasma da ópera", tive que rever meus conceitos e passei a enxergar com outros olhos. Até por isso não foi muito difícil aceitar a ideia de assistir Sweeney Todd , este também não é um musical chato, afinal as canções são bem executadas, não muito longas e bem intercaladas. 
O que me chamou atenção logo de cara foi a fotografia e a direção de arte do filme, até então não sabia que ele tinha ganho o oscar de melhor direção de arte, bem merecido, isso sempre foi uma característica marcante nos filmes de Tim Burton.
Voltando para o filme, para mim seria classificado como um terror. Claro, não é daqueles de dar medo, porém o que o faz semelhante a estes é o exagero de sangue e de mortes, e o que o diferencia da maioria dos filmes de terror é o fato de possuir uma historia e um motivo. Benjamin Barker, que usa o codinome de Sweeney Todd, volta a Londres buscando vingança , afinal o Juiz daquela cidade o tinha prendido e o mandado para outra cidade durante 15 anos só para poder ficar com sua esposa.
Mas ao retornar à cidade, Todd fica sabendo que sua esposa foi humilhada publicamente e ninguém da cidade a ajudou, e para se livrar desse tormento e não ter que ficar com o Juiz ela tomou veneno e o Juiz resolve então criar a sua filha em cativeiro para que futuramente pudesse se casar com ela. Esses são motivos suficientes para buscar essa vingança desesperada. Porém a vingança nos deixa cegos, e foi isso que aconteceu com Todd. O ódio tomou conta de sua vida e passou a ser para ele o único motivo para viver.
Ele ficou tão cego que não conseguia mais enxergar as pessoas como ser humanos, ele via apenas seus defeitos e por causa deles ele passou a ver motivo para matar cada um dos seus clientes e influenciado pela ganancia da Sra. Lovett, que queria ver seu restaurante voltar a ter sucesso, ele constrói um cadeira especial onde ele cortava o pescoço de seus clientes da barbearia e jogava o corpo direto no porão para Sra. Lovett usar sua carnes para fazer tortas.
Por causa dessa busca de vingança, ele foi incapaz de ir lutar pela sua filha que ainda estava sofrendo. Essa tarefa ficou para Anthony Hope, o marinheiro que levou Todd de volta a Inglaterra e acabou se apaixonando pela sua filha. Enquanto Anthony fazia de tudo para resgatar Johanna, Todd só se preocupava em matar mais e não procurou ajuda-lo quando este lhe pediu, e ainda mais no fim, foi capaz de usar sua filha como isca para o juiz Turpin.
Será que a vingança compensa mesmo? Todd ficou tão cego com sua sede de vingança que foi incapaz de ver e reconhecer o olhar de sua esposa, a qual ele afirmava que amava tanto, e dessa forma a sua vontade de se vingar vai ser a principal responsável por não ter sua família de volta e, consequentemente, a sua felicidade. O ódio que sentia foi maior que o amor e ao ver o rosto da mendiga ele só conseguia ver a vontade de matar o Juiz e mesmo depois que conseguiu o que queria ele ainda tomado pelo ódio foi incapaz de reconhecer o olhar doce e desesperado de sua filha e a confundiu com um rapaz a qual só não matou pois ouviu um barulho no porão.
O que podemos ver nesse filme é que toda ação motivada pelo ódio só leva ao sofrimento. Se Todd tivesse feito como Anthony, que agiu todo tempo por amor afim de tirar Johanna daquela tortura, ele provavelmente teria tido um final feliz como deve ter acontecido com Anthony e Johanna. 



14 maio, 2012

Noivo neurótico, noiva nervosa (Elaynne)


O bom de se assistir a um filme sabendo que é pra fazer uma crítica a respeito, é que você já fica mais atento aos detalhes, às cenas ou falas que chamam a atenção, e aos atores, pra poder ter o que falar. Mas confesso que, quando terminei de assistir a este filme, fiquei meio sem saber o que falar dele.
É mais que uma comédia romântica. É um filme cult. Com um humor inteligente e sarcástico. Assim como seu personagem principal, Alvy. Uma pessoa do meio artístico, do cinema e televisão, mas que se apresenta como alguém que não aprova o que é oferecido aos expectadores em seu tempo. É muito crítico, e suas críticas não são infundadas, pelo contrário. Ele critica com inteligência e sabe identificar os pontos fracos de seus "colegas" de profissão. Infelizmente, ele se sente obrigado a conviver com tudo o que ele desaprova, para se adaptar ao sistema.
Se na vida profissional ele consegue se adaptar ao sistema permanecendo em silêncio, não manifestando abertamente suas opiniões, na vida amorosa Alvy segue um rumo totalmente diferente. Não sabe ficar calado. Não sabe aceitar os defeitos de suas companheiras. É exatamente nesta área da vida que sua crítica feroz mais o prejudica. E nem os dezesseis anos de terapias foram capazes de mudar sua personalidade exigente.
Ora, um homem que já foi casado duas vezes e deixou um terceiro relacionamento se perder, deve ter algo errado. E, o que seria esse algo errado com Alvy? Sua personalidade insegura não combina com ser exigente dos outros. Ao mesmo tempo em que ele não tem certeza de muitas coisas a respeito de si mesmo, ele quer ter certeza absoluta em seus relacionamentos, e quer ainda que as pessoas com quem se relaciona tenham certeza a respeito dele mesmo. Assim não dá.
E pra piorar as coisas, acho que todos os anos de terapia acabaram lhe fazendo mais mal que bem. Afinal de contas, ele não fala coisa com coisa, e fala infinitamente, sem fazer pausas, sem tratar de um mesmo assunto por mais de cinco minutos. É uma pessoa complicada de se conversar. Talvez por ser tão inteligente, ele seja assim tão difícil. Quando se pensa que está falando de um assunto, de repente ele muda e passa a falar de outra coisa, e permanece assim o tempo todo.
De sua segunda esposa não dá pra falar muita coisa. Não tinha muito pra dar certo mesmo. Mas em relação à sua primeira esposa e à Annie, eram mulheres aparentemente perfeitas para ele, já que aceitavam suas manias e defeitos, se divertiam juntos e tinham inclusive muitos gostos e interesses em comum. Com a primeira esposa, ele quis prendê-la. Pensou mais em si mesmo que no casal, o que levou fatalmente ao fim do relacionamento.
Com Annie, não dava pra repetir o mesmo erro do primeiro casamento. E ele não repetiu. Relutou, inclusive, em receber Annie em sua casa, com medo de que parecesse um casamento e caísse na rotina. Ele tentou fazer as coisas diferentes. Recomendou até mesmo que Annie visitasse uma terapeuta, assim como ele fazia, pra ajudá-la com seus problemas pessoais.
E foi por tentar fazer diferente e, principalmente, por levar Annie a um terapeuta, que Alvy perdeu seu novo amor. Talvez seu único verdadeiro amor. Além dos defeitos de Alvy, foi a terapia que fez com que Annie mudasse um pouco seu modo de pensar e buscasse se sentir mais livre, mais disposta a correr atrás de seus sonhos pessoais. Sonhos estes que começaram a tomar forma com ajuda do próprio Alvy, que a incentivou a cantar em bares.
Ou seja, provavelmente no relacionamento em que mais acertou, Alvy perdeu a mulher que mais amou. É uma falta de sorte enorme. Mas de certa forma Alvy já estava preparado para aquela separação, considerando que já tinha passado por outras duas. Só que, mesmo preparado, ele não queria que acontecesse. Se esforçou para evitar a separação de Annie, e se esforçou também para conquistá-la de volta (do seu jeito, eu sei, mas se esforçou).
Mas Annie, apesar de todo o esforço de Alvy e do amor que sentia por ele, resolveu tocar sua própria vida. Talvez, se Alvy estivesse disposto a deixar Nova York, eles não teriam se separado. Ou talvez Alvy não ia conseguir se adaptar à nova vida social de Annie e terminaria o relacionamento mais tarde, não dá pra saber.
O que eu sei é que, num relacionamento, não dá pra pensar o tempo todo em você mesmo. Claro que você continua com seu amor próprio, mas tudo o que você vive e pensa em viver daí pra frente, tem que ser em conjunto. Os objetivos pessoais devem continuar a existir, mas é melhor que sejam compartilhados com seu companheiro, para que os dois se ajudem a atingirem seus objetivos pessoais e atinjam também seus objetivos enquanto casal.
Relacionamentos são complicados. Nem todas as pessoas são neuróticas como Alvy, ou nervosas como Annie. Mas todas têm seus defeitos, e se não se aprende a conviver com estes defeitos, aceitando que você também tem seus próprios defeitos e é uma pessoa difícil de se conviver, se isso não acontecer, o outro sempre será o culpado por tudo o que vier a dar errado. E num relacionamento, dificilmente há apenas um culpado quando algo não dá certo, a culpa é dos dois, assim como tudo o mais que um relacionamento envolve.
Finalizando, é um bom filme, mas não recomendo para todo mundo. Apenas para as pessoas que tenham o humor crítico e sarcástico o suficiente para compreender suas piadas inteligentes.
Ah, e o cara no telefone é realmente o Jeff Goldblum, que fez "A mosca".


02 maio, 2012

Vanilla Sky (Carlos)


Vanilla Sky é um filme bom, porém passa longe de ser um grande filme. É uma refilmagem do "Abre los ojos", que não assisti, por isso não posso fazer uma comparação. Mas pelo que li o original é bem melhor, mas claro que nao faria tanto sucesso pois não tem toda a grande produção do filme americano e nem todos grandes atores, principalmente Tom Cruiz. E o titulo do filme não tem nada a ver com a historia. Vanilla sky é um quadro que aparece no começo do filme que nao tem nada a ver com a historia, na minha opinião poderia procurar algo melhor também. 
Então, falando do filme em si. David é um cara que todo homem sonharia ser. Rico, bonito, bem-sucedido, tem uma amante linda e um trabalho que não tem nada de estressante. Num certo momento da sua vida ele conhece Sofia, pela qual se apaixona e acredita ser a mulher da sua vida. O interessante dessa relação é que eles decidem viver uma grande amizade e acabam não vivendo seu amor, vivem apenas o momento da conquista e esse, diga-se de passagem, é o melhor momento. 
Eles resolveram adiar o prazer, tudo daria bem certo entre eles se nao fosse o ciume doentio de sua amiga Julie, que decide atirar o carro de uma ponte em alta velocidade com David. Ela morre e ele fica totalmente desconfigurado. Exatamente o que ele tinha tanto orgulho que era sua beleza e seu poder de sedução ficaram destruidos e ele se entrega a uma vida solitaria, com vergonha da sua nova figura, até que decide recontruir sua vida e procura de novo, o seu grande amor.
Porém a sua insegurança e seu medo destruiram o sentimento de Sofia. Ela talvez nao ligasse para o seu rosto, porém o seu comportamento foi que afastou eles. E de repente ele acorda e sua vida muda completamente. Ele passa a viver um grande amor, o médico consegue curar seu rosto e sua vida volta ao normal. Seria um sonho... "Abra os olhos"... Só que esse sonho começa a se transformar em pesadelo e ele começa a se ver condenado a um crime que nem sabe se cometeu.
E é assim com nossas vidas também, muitas vezes tentamos viver num mundo de sonhos onde buscamos que nossas vidas sejam do jeito que a gente quer, e esquecemos de olhar para os outros. O problema é que a vida não pode ser um sonho eternamente e, se pensarmos dessa forma, ela pode virar um pesadelo, pois sempre vai acontecer algo que não está nos nossos planos. David era assim, não podia aceitar que sua vida fosse diferente daquela perfeição e por não aceitar isso acabou se submetendo a uma experiencia que ele considerava a melhor, ele resolveu fugir da realidade.
Claro que hoje não existe esse sistema, porém existem muitos outros recursos que as pessoas usam para fugir da realidade, e assim com David no começo pode ser uma maravilha, mas no fim se tornará um pesadelo, porém o melhor a fazer é nos preparar sempre para a vida e viver o que nos é possivel viver. Devemos sim correr atrás dos nossos sonhos, porém dentro daquilo que nos é possível.
O fim do filme nos esclarece tudo, esse talvez tenha sido o pior erro, pois ele esclarece tanto que não nos deixa com o suspense e a dúvida. Não tem o que entender pois ele explica tudo. Pelo que li, "Abre los ojos", não deixa isso tanto a vista e se for assim mesmo ele é melhor.
Enfim, é um filme que teve muita produção, porém pecou muito em alguns fatos. Talvez o diretor tenha sonhado muito alto. 
E no fim o que fica do filme é a mensagem que o amigo de David disse para ele quando conheceu Sofia: "O doce não é tão doce, quando se prova o amargo." 



14 abril, 2012

Amnésia (Elaynne)


Como eu lhe falei, estas críticas não são para explicar o filme, e sim para falar dele. Então, se você espera que eu dê alguma explicação sobre o filme, pode esquecer. Até porque eu não explicaria este filme nem que eu quisesse. É um filme que não é pra ser entendido. Pelo menos não na primeira vez em que você assiste. Pra entender o enredo, a trama, é preciso reassistir ao filme pelo menos umas duas ou três vezes.
E ainda assim, você não vai entender tudo. Ainda ficarão dúvidas no ar. Tudo pela maneira original e brilhante como o filme foi editado: de trás pra frente. Tem como dar certo isso? Onde é que já se viu, assistir a um filme do fim para o começo?? Mas... e não é que deu certo mesmo???
A primeira coisa que me chamou a atenção neste filme você já sabe qual foi: o diretor, Christopher Nolan, responsável pelo sucesso da trilogia Batman Begins. Só em saber que este era o diretor, já imaginei que Amnésia seria um filme bom. E não me enganei. Amnésia é um daqueles filmes que fazem sucesso no boca a boca, ou seja, no público, mais do que na crítica. Afinal, um roteiro tão interessante merecia ter uma indicação ao Oscar.
Quanto à Leonard, o que dizer dele? Sentiu na própria pele o preconceito que ele mesmo mostrou com Sammy. Passou a sofrer com o descrédito, desconfiança e falta de caráter das pessoas. Que tipo de pessoa tiraria proveito de uma pessoa na situação dele, com o problema dele?? Pelo jeito, muitas pessoas. Aquelas que tinham problemas a serem resolvidos e não queriam se sujar. Aquelas que querem ter alguém que faça o trabalho sujo em seu lugar.
Neste ponto, Lenny era perfeito. Poderia fazer o que quisessem, pois sempre estaria agindo em nome da sua própria honra, e da sua esposa. Estaria agindo em nome da “justiça”. E depois, não iria carregar aquela mágoa, aquele trauma e sofrimento pelo resto da vida. Em menos de 15 minutos, ele esqueceria tudo e partiria para uma “nova” vingança, que sempre era a mesma.
Pra ser bem sincero, não é preciso ter perda de memória recente para encontrar aproveitadores em todos os lugares. Pessoas que se aproximam de você porque querem tirar de você o máximo possível, querem sugar sua vitalidade, alegria, autoconfiança, bom humor, ou seja, tudo de bom que você tem e que elas não têm. E quando não dá mais pra sugar nada, te abandonam, te deixam à própria sorte.
O pior, neste tipo de pessoa, é que elas se apresentam extremamente agradáveis, se identificam com seus problemas e, em alguns casos, até passam ou já passaram pelas perdas e frustrações as quais você já passou. Natalie é uma pessoa desse tipo. Perdeu alguém que gostava, e usou isso para que Lenny se identificasse com ela e acabasse matando a pessoa que, TALVEZ, foi a única que tentou ajudá-lo de verdade: Teddy.
Mais como nem tudo neste filme é o que parece, eu disse TALVEZ. Pois, com o desenrolar dos fatos, com a história do filme se aproximando do início, percebe-se que Teddy não estava tão interessado assim em ajudar Leonard. Afastar Lenny de Natalie pode ter sido a única coisa boa que Teddy tentou fazer. No mais, tudo o que ele fez foi se aproveitar do problema de Leonard, como todo mundo.
E por se aproveitar tanto de Leonard, Teddy acabou cavando a própria cova, pois em um momento onde tudo foi revelado, Lenny forjou a prova de que Teddy seria o Jhonny G. a quem ele tanto procurava. A placa do carro de Teddy tatuada em seu corpo o levou a matá-lo, acreditando que Teddy fosse o assassino de sua esposa. Teddy também caiu na própria armadilha.
O que me faz pensar o seguinte: se o filme fosse contado de onde começou em diante, e não pra trás, provavelmente Natalie teria o mesmo fim que Teddy. Por se aproveitar de Lenny, em algum momento ele conseguiria anotar algo que ela fizesse de ruim, e criaria também uma prova contra ela, e Natalie seria mais uma a morrer pelo assassinato da esposa de Lenny. Quem vai saber?
A única coisa que se pode saber, com certeza, é que viver sem memória é viver escravo de aproveitadores, de anotações, fotos, de um modo de vida sistemático que, no dia em que você fugir dele, você se perde. Viver sem memória é viver uma vida sem história. E o que seria de nós se não tivéssemos histórias pra contar, “causos”, situações, lembranças boas e ruins. É todo este conjunto de lembranças vivas em nossa mente que nos torna seres humanos, que nos faz agir por vontade, por desejo, por emoção e por razão, não apenas por instinto. Como diz o profeta Jeremias, no Livro das Lamentações, cap. 3, vers. 21: “Quero trazer a memória aquilo que me dá esperança”. Ter o que lembrar, ter o que comentar com alguém, é o que nos dá esperança de viver um novo dia para ter novas histórias, para que possamos nos renovar.
Uma vida sem memória é uma vida apagada. Quase uma inexistência. Porque viver se tudo o que você faz desaparece em 15 minutos?
A vida de Lenny é assim. O filme explora bem isso. Como Teddy falava sempre para Leonard, “você nem sabe quem você é agora, quem você se tornou depois do acidente”. E era verdade. Lenny não sabia quem era, quem poderia ser um dia. E no fim do filme (ou no começo) Lenny fica inclusive em dúvida de quem ele foi antes do acidente. Seria ele mesmo Leonard Gelby, um investigador de uma seguradora, ou seria tudo isso fruto de sua imaginação? Perguntas sem respostas. Melhor deixar assim mesmo. Dá ao filme um ar de inacabado. E faz com que seja uma obra brilhante.


04 abril, 2012

Doze homens e uma sentença (Carlos)


Quanto do nosso tempo vale a vida de alguém? Essa talvez seja a primeira pergunta que fazemos ao assistir "Doze homens e uma sentença". O filme já começa com os 12 homens que compõem o júri, pessoas comuns que não se conhecem e nunca se viram, entrando numa sala para se reunir e decidir pela condenação ou absolvição de um jovem porto riquenho de 18 anos à pena de morte por ter possivelmente matado seu pai. Não nos é mostrado o que aconteceu no julgamento e nem a morte.
Já reunidos vem a grande pergunta para o grupo: inocente ou culpado? A maioria começa a levantar a mão o condenando, então um por um vão levantando aos poucos até completar 11 com as mãos levantadas, porém o que chama mais atenção nessa parte não é o fato de um não levantar, mas sim que alguns daqueles homens não tinham a certeza se ele era mesmo culpado, porém dois motivos os levavam a votar: o primeiro era a vontade de ir embora logo e se livrar daquilo, como tinha que ter unanimidade melhor ir com a maioria afinal eles tinham outros compromissos; o segundo é o medo que temos de contrariar, isso nos leva na maioria das vezes a ir com a maioria só por medo de argumentar e de ser mal visto pelos outro. Percebe-se nessa hora como o idoso olha para todos e levanta o braço timidamente. Na certa ele se encaixou bem nesse segundo motivo.
Como não houve unanimidade logo de primeira, afinal Davis levanta a mão inocentando-o, os outros que queriam ir embora logo e nem ligavam para o que estava acontecendo protestaram e quiseram discutir logo. Todos expuseram seus  argumentos e à medida que falavam a gente também pensava: "como pode esse homem o achar inocente?". O problema é que Davis não o achava inocente, apenas queria discutir mais, pois achava que a vida daquele jovem não poderia ser decidida assim em um minuto sem discussão. Então Davis começa pouco a pouco a mostrar o que poderia estar errado naquela prova apresentada, e o primeiro a se convencer da inocência do jovem é exatamente o idoso que mal levantou a mão, o que só demonstra que ele precisava de mais alguém para o apoiar.
Percebemos ao longo da discussão a característica de cada um: temos o idoso que sofre por não ser escutado, temos o tímido, o intelectual, o imigrante, o preconceituoso, o que sofre com o descaso do filho, o que só pensa em assistir beisebol e assim por diante. E percebemos como podemos deixar que nossas características nos levem a julgar as pessoas  apenas pelas suposições e por nossos conceitos adquiridos. Como não queremos pensar quando o assunto é o outro.
Aos poucos todos vão se convencendo da inocência do jovem. Eles vão vencendo seus preconceitos e arrogância. Mas será que o jovem era mesmo inocente? Se no começo achávamos com certeza que ele era culpado, no fim, como os jurados, acabamos nos convencendo também da sua inocência. O diretor inteligentemente não nos diz a verdade e o suspense prevalece até depois do filme, afinal o importante não era saber se o jovem é culpado e inocente e sim mostrar como podemos decidir em grupos, onde todos são bem diferentes e pensam diferentes, todos têm que ser escutados, todo argumento tem que ser respeitado, todos têm que deixar de lado seus orgulhos, todos têm que expressar sua opinião sem medo.
Uma parte que chama a atenção durante a discussão é quando alguém pergunta a Davis por que o advogado do rapaz não questionou as provas assim como ele. E a resposta infelizmente é a verdade, afinal provavelmente era um advogado de defesa publica que não ganharia grande status pela aquela causa e já a considerava perdida. E fica a grande questão sobre a advocacia no mundo. O que vale mais para um advogado: status e dinheiro ou a vida do ser humano? Por que alguns advogados por milhões inocentam culpados e não se esforçam para livrar inocentes?
E claro que não poderia deixar de citar o fato curioso do filme, pois ele se passa praticamente todo numa pequena sala, apenas uma cena no começo do filme, uma no final e duas no banheiro não ocorrem lá, o que mesmo assim não deixa o filme monótono.



25 março, 2012

Prenda-me se for capaz (Elaynne)

Se tem uma característica que admiro em qualquer ser humano é a criatividade aliada à inteligência. Na minha opinião, estes fatores somados tornam qualquer pessoa diferenciada. É exatamente o caso de Frank Abagnale Jr. Ele é inteligente. E não molda sua inteligência ao sistema, não se submete ao comum. Ele inverte a ordem das coisas, e adapta o sistema à sua criatividade e inventividade.
Desta forma, ele, apesar de ser um ladrão, falsário, estelionatário, não se torna em momento algum o vilão da história. Ninguém que assista a este filme vai torcer contra Frank Abagnale. Ninguém quer vê-lo preso. Queremos vê-lo, sim, desafiando o sistema, burlando as regras. Queremos vê-lo fazendo o que nós, muitas vezes, temos vontade de fazer, mas não temos a devida coragem, porque temos medo das consequências. Digamos que a nossa covardia e acomodação são os motivos que nos levam a torcer a favor de Frank, a vibrar e se admirar em cada empreitada nova onde ele obtém sucesso.
E como ele teve sucesso!!! Simplesmente porque ele não teve medo. Ele ousou, e numa velocidade jamais vista. Não é todo mundo que tem no currículo, aos 19 anos, milhões de dólares em cheques falsificados, um curso de medicina em Harvard e uma aprovação no exame de ordem para exercer advocacia. Além, claro, da experiência como co-piloto de uma das maiores companhias de aviação do mundo. Não é todo mundo, mesmo. E tirando a aprovação no exame de ordem, que ele conseguiu por méritos próprios, o resto ele conseguiu burlando as regras, criando novas soluções, por assim dizer.
Frank Abagnale é, como costumamos dizer, o cara. Depois de assistir a este filme, aquela máxima de que “o crime não compensa” perde um pouco o valor. Afinal, a sua vida de crimes lhe rendeu frutos excelentes e invejáveis durante a época em que roubava. Tanto para ele quanto para sua família. A família que era sua principal meta quando começou esta vida. Pode-se dizer que ele tinha um motivo nobre: restaurar o padrão que sua família tinha anteriormente, e o principal, re-unir sua família, seu pai e sua mãe. Uma parte do objetivo ele até teria conseguido, se seu pai não tivesse rejeitado o Cadilac. Mas, se não foi, não era pra ser. A vida lhe levou por outros caminhos, que ele nem imaginava. Duvido que em algum momento ele sequer tenha cogitado a possibilidade de trabalhar no FBI, ajudando a prender criminosos como ele. 
E não é que foi exatamente isso o que aconteceu?? De certa forma, ele passou a ser pago por quem ele mais roubou, o Estado. Aquele que tanto o perseguiu agora seria seu patrão, seu chefe. E uma pessoa como Frank se submete a alguém? É, se submete sim. Chega uma hora na vida em que tudo o que a pessoa quer é fugir de uma vida de agitação e passar a viver uma vida comum. Mesmo a mais diferente e agitada das pessoas passa por este momento. Chegou a vez de Frank se adaptar ao sistema.
E tudo isso se torna mais surpreendente ainda sabendo se tratar de uma história real. Aconteceu mesmo. Se fosse apenas mais um filme sobre ladrões, temos muitos onde a turma de roubos incríveis se dá bem. Esta história é diferente. São personagens da vida real. A vida real proporciona histórias incríveis como esta o tempo todo. Nem todas são trazidas para as telas, e nem com tanta perfeição como foi Prenda-me se for capaz. É um filme incrível!! É uma história inacreditável, mas é real.
E no fim, ele foi preso. Ficou sem saída. O trabalho de Carl foi feito. Que chato!!! Que sem graça. Ou não? Foi graças a isso que ele conseguiu fazer um trabalho “normal”, aceito pelas pessoas. Não sei se era isso mesmo que ele queria, acredito que não. Mas era preciso. Não dava pra passar a vida inteira fugindo e falsificando. Dá trabalho. Chega uma hora que a pessoa quer descansar, sair do risco e ter algo mais seguro.
O mais importante é que, mesmo sem ter a mesma emoção e adrenalina de antes, ele poderia exercer seus conhecimentos e suas habilidades. Mesmo adaptado ao sistema, sua inteligência diferenciada não se perderia, ao contrário, seria bem aproveitada. Os seus crimes foram o motivo de sua contratação. E alguém tem dúvida de que ele deve ter se tornado um dos melhores na sua área de atuação no FBI? Não tenho dúvidas de que ele foi brilhante no trabalho assim como foi brilhante roubando. Afinal, pessoas diferenciadas permanecem assim onde quer que estejam.



17 março, 2012

À espera de um milagre (Carlos)

Esse é um filme que sempre tive medo de comentar, por ser um dos mais complexos que acho. É um filme que posso ter assistido no mínimo umas sete vezes, mas toda vez que vejo me impressiono mais. Falar de milagre é sempre muito difícil, afinal o que é milagre? Para mim milagre é tudo aquilo que nos faz feliz... Para um casal, por exemplo, o nascimento do filho é um milagre; para um doente é a cura; para quem sofreu um acidente sair ileso é um milagre; para um desempregado um trabalho; para um condenado a liberdade... E para Deus com certeza cada um de nós é um milagre, nossa vida é um milagre, dessa forma qual o direito que temos de destruir um milagre de Deus?
Stephen King , escritor do livro o qual Frank Darabont adaptou para filme, aborda esse assunto de uma forma bem especial e sutil. Ele consegue falar de vários temas que rodeiam o milagre. O primeiro deles é a pena de morte e, como falei anteriormente, se somos milagres de Deus ninguém, por motivo algum, tem direito de tirar isso. Pena de morte sempre é um tema muito polemico devido a natureza vingativa dos homens. É muito difícil para nós perdoar alguns atos. Porém em Mt 5, 38-39 Jesus diz " Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu porem vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra" E Ele não só falou, Ele fez muitos atos que mostraram que Ele era capaz disso.
E nós, será que somos capazes de fazer tanto? Por que então ainda se discute a pena de morte? Por que não seguir esse belo ensinamento?... Infelizmente muitas vezes nosso instinto de vingança e justiça fala mais alto. No caso do filme esse tema foi mostrado de uma forma bem diferente do que estamos acostumados a ver, em vários momentos chegávamos a torcer pelos condenados, afinal eles conseguiam mostrar uma gentileza maior que a do soldado Percy. Delacroix nos fazia rir com o seu ratinho Mr. Jingles. Não era necessário para nós saber que crime aquelas pessoas tinham cometido, o momento que eles viviam era outro. Talvez dessa forma ficou mais fácil para nós vê-los como "heróis" e assim nos mostrar que as pessoas são capazes de se arrepender e mudar, e assim nos perguntar: que justiça é essa que não oferece uma segunda chance? Até onde somos capazes de julgar a ação das pessoas?
Temos naquele corredor Jonh Coffey, um homem que pela aparência todos julgariam como culpado, um homem alto, forte e negro... foi com essa aparência qu ele foi condenado, mas ao passar do filme, suas ações nos fazem pensar se ele realmente foi capaz de estuprar e matar 2 crianças. Um homem que chora, que tem medo do escuro, que é gentil, que ajuda os outros... esse é o dilema de Paul e essa duvida perdura até a hora que ele descobre a inocência de John e aí vem a outra duvida dele: cumprir ou não com o seu dever? E alem disso tudo Jonh ainda o curou e salvou também a mulher de seu amigo. Paul tinha uma divida com ele.
E então chegamos a mais uma questão da pena de morte, como iremos saber se estamos condenando pessoas inocentes? Pessoas que como Jonh só faziam o bem. Não temos essa capacidade de julgar os outros. Paul, na sua dúvida, chega a perguntar para sua mulher: "o que irei falar para Deus quando encontrá-Lo no julgamento final, que matei um de seus milagres?" Esse deveria ser o pensamento de todos antes de tirar a vida de alguém, todos deveríamos ver os outros como milagres de Deus independente de qualquer coisa.
Outro tema que é abordado é a questão do medo no personagem de Jonh. Podemos ver isso bem presente, afinal um homem alto e forte como ele iria te medo de quê? E pelo contrario ele parecia uma criança indefesa com o medo de ficar só no escuro. O medo também está presente no soldado Percy, que se sentia forte e arrogante com sua farda, mas bastou uma ameaça maior de um prisioneiro que veio à tona a sua fraqueza e ele chega ao ponto de mijar nas calças.
Vemos ainda o medo da morte exposto no rosto daqueles prisioneiro condenados e até o medo de não morrer expressado por Paul no final do filme. O medo da doença com Sam quando recebeu o diagnostico que sua mulher tinha um tumor no cérebro, enfim o filme mostra que não importa o nosso tamanho, o nosso distintivo, a nossa arrogância, a nossa bondade... todos sempre temos medo de algo e que sempre nas dificuldades da vida ela acaba aparecendo, cabe a nós mostrarmos a força nessa hora.
O filme aborda também a questão da imortalidade, uma busca insensata do ser humano. Cristo já prometia a vida eterna para quem o seguisse e isso foi e ainda é o que move muitos cristãos, acontece que o homem como sempre desvia o real sentido de Deus e busca desesperadamente meios de prolongar a vida, não envelhecer nunca, enfim, busca a vida eterna aqui na terra. Paul ganhou esse “presente” de Jonh e viveu mais que o normal, mas Paul acaba percebendo que isso não foi bem um “presente” e passa até a considerar como castigo de Deus por ter condenado à morte um de seus milagres, pois ele acaba vendo todas as pessoas que ama morrer e os novos amigos que faz também. O único que o acompanha é Mr. Jingles, que também recebeu esse dom de Jonh, mas que por ser um rato é provável que morra antes dele também. Então qual seria a vantagem de se buscar essa imortalidade aqui na terra?
Não se poderia falar de imortalidade sem se falar de morte e como o filme se passa num presídio onde vivem prisioneiros condenados à morte esse tema esteve bastante presente e com cenas até bem fortes, como foi a morte brutal de Delacroix, onde Percy não molha a esponja, ficamos durante uns 3 minutos angustiados desejando como expectador que aquele momento acabe logo. Paul e todos os outros soldados do presídio (menos Percy), tinham uma sensibilidade muito grande com aqueles condenados pois queriam dar pelo menos um pouco de otimismo para aqueles que não tinham mais nenhuma esperança.
Eles chamavam o corredor que dá acesso a cadeira elétrica de “milha verde” devido a sua cor e sempre que um dos prisioneiros eram condenados eles proporcionavam o seu “grande momento” como a apresentação de Mr Jingles e uma das cenas mais emocionantes que é o filme assistido por Jonh, seu primeiro filme, no qual ele chora emocionado e nos mostra que a sensibilidade não é sinal de fraqueza e sim de grandeza. Como Paul disse “todos temos nossa milha verde” então devemos sempre buscar nossos sonhos por mais simples que possam parecer, pois são eles que nos dão otimismo e esperança para seguir em frente.
Por fim termino como comecei, falando de milagre. Jonh tinha um dom extraordinário, ele era capaz de curar as pessoas, de tirar o que elas tinham de ruim e colocar para fora... E foi por causa desse dom que ele foi parar na prisão e foi com ele também que ele conseguiu a admiração de todos ali. Mas por que o autor escolheu um negro, simples e analfabeto e escolheu também um corredor da morte o lugar para ele mostrar seus dons? Talvez a mensagem seja simples: o milagre pode acontecer em qualquer lugar, através de pessoas que não esperamos e nas situações menos prováveis, basta a gente ter a sensibilidade de vê-lo.


05 março, 2012

Menina de ouro (Elaynne)

Menina de ouro é um filme incrível. Não são todos os filmes que fazem você sair com raiva, com ódio, até, de um personagem. Menina de ouro consegue esta façanha. Faz você odiar uma pessoa como se fosse alguém que existe de verdade.
Este filme merece ser analisado em partes. A primeira, o início da história. Um homem isolado do mundo, abandonado pela família, que se relaciona unicamente com um ex-companheiro do boxe. E ele é bom. É um excelente treinador. Sabe tirar o melhor de seus discípulos. Sabe explorar bem o potencial dos alunos de sua academia. Mas tem medo. E este medo ele passa a seus alunos na forma de sua principal lição: ANTES DE TUDO, SE PROTEJA. Frankie Dunn é alguém que se protege. Que se resguarda de seus sentimentos. Que tenta de alguma forma se aproximar da filha distante, mas não o suficiente.
Por ser treinador de boxe, Frankie é acostumado a lidar com pessoas teimosas. Seu único amigo, Scrap, é prova disso. Mas ele não estava preparado para a teimosia de Maggie.
Maggie tem um dom. Muitas pessoas aprendem o que fazem. Maggie foi apenas lapidada. Ela já sabia lutar, já sabia bater. Ela lutou durante toda sua vida, com uma família que a desprezava, que desprezava seu dom, que ria na sua cara. Ela lutou e venceu. Ela lutou com Frankie, até convencê-lo a ser seu treinador. Ela lutou e venceu. De novo. Maggie era uma vencedora.
E com a ajuda de Frankie, Maggie se tornou a maior vencedora. Carismática, conhecida. Se tornou “Ma cushie”, a querida do público. Todos gritavam seu nome. Todos torciam por ela. Todos sabiam que ela poderia ir além. Maggie parecia não ter limites. Até lutar com a Ursa azul. Uma mulher que sabia lutar, mas não sabia perder. Ela com certeza não conhecia a frase que o sr. Scrap usou para consolar o garoto Danger: Qualquer um pode perder uma luta.
É verdade. Qualquer um pode perder. Mas ganhar? Só quem é realmente bom. Quem é incrível. E lidar com as vitórias? Só quem sabe o valor da vitória. Quem recebe a vitória de mão beijada, sem esforço, sem luta, não dá valor. Ursa azul era assim. Maggie não. Por isso ela comemorava cada vitória como sendo única, como sendo a primeira. Com o passar do tempo, as pessoas acabam por perder o ânimo de vencedores. Acabam se conformando e desistindo de tentar. Maggie não era assim. Ela não desistiu. Ela tentou. E em suas próprias palavras, ela “mandou bem”.
Até onde deu. Chegou uma hora e uma circunstância em que não deu mais. E aí entramos na segunda parte da análise. Maggie tentou, não perdeu o bom humor jamais. Resistiu e insistiu. Em todos os momentos, ela jamais se passou por coitadinha. Não aceitou sentimento de pena de ninguém. E nem dava pra sentir pena de Maggie. Mesmo no leito do hospital, respirando apenas com a ajuda de um aparelho, mexendo apenas com os olhos e a boca, Maggie ainda era uma vencedora. Sua expressão não mudou com o sofrimento. Seu sorriso bonito continuou iluminando a vida sem graça do treinador Frankie, o chefe.
E Frankie também não desistiu de Maggie. Ele insistiu com médicos, procurou outros hospitais, dedicou seu tempo e seus esforços para tentar recuperar Maggie, até onde pôde. Não me parece que ele tenha se esforçado tanto assim para manter sua família. Tinham as cartas que ele enviava para a filha, mas só. É pouco. Era preciso mais, e se ele tivesse feito esse “mais”, provavelmente teria a companhia da sua filha, e não seria um velho solitário.
E se ele tivesse feito esse “mais”, provavelmente também Maggie não seria tão importante para ele como foi. Maggie fez a diferença na vida de Frankie, enquanto lutava e quando deixou de lutar. A partir do momento em que decidiu ser seu treinador, Frankie viveu para fazer de Maggie uma vencedora, para não deixá-la desistir. E conseguiu.
Mas nem Frankie nem Maggie estavam preparados para aquele acidente. Maggie, no entanto, estava feliz, e tinha a sensação do dever cumprido. Deu uma oportunidade de vida melhor pra sua família. Lutou e venceu, apesar da idade, apesar das condições. Teimou. Insistiu. E realizou seus sonhos. Já tinha vivido o suficiente para ver seus desejos se tornarem realidade.
Portanto, o pedido de Maggie não é algo tão inacreditável assim. Maggie viveu intensamente desde que começou a treinar com Frankie. E ali, naquela UTI, ela não vivia mais. As pessoas têm medo de morrer, mas principalmente de viver, e acabam morrendo sem ter vivido. Maggie queria morrer porque tinha consciência que tinha vivido. Não precisava conseguir mais nada. E, como disse Scrap, suas últimas palavras provavelmente seriam: “eu fui bem, não fui, chefe?”
Gostei da escolha, morzinha. Se eu já tivesse assistido antes, este filme também estaria na minha lista.


26 fevereiro, 2012

Gênio indomável (Carlos)

Dessa vez não vou falar de Robin Williams apesar de mais uma vez ele ter feito um papel brilhante. Porém Matt Damon merece todas as considerações: um ator jovem pegando um papel tão complexo e conseguir dar uma vida a ele de uma forma tão real, além disso tendo que contracenar com grandes estrelas, uma missão difícil, mas que ele tirou de letra.
Will Hunting nasceu com um dom, resolvia problemas que grandes matemáticos demorariam anos, porém era um rebelde, vivia preso, tinha problemas... até ser descoberto pelo professor que tentou ajudá-lo, porém com interesses e também por inveja .eEe vivia dizendo que Sean McGuire era um fracassado por não ter um grande prêmio, porém ele era o grande fracassado, não conseguia viver quando descobriu Will, um rapaz sem estudos que conseguia ser mais inteligente que ele. Ou seja, ele sabia ser o grande poderoso na sala, mostrar para seus alunos que ninguém era capaz de ser tão inteligente que ele, até descobrir esse gênio, e no fim esse menino indomável consegue mostrar isso para ele. Nunca devemos nos achar melhor do que ninguém.
Will,depois de descoberto, recebeu várias propostas de trabalho de grandes empresas, com grandes salários, ou seja,  tudo que um pedreiro sempre sonhou. Porém para Will não. Ele ia dispensando um por um, e em um de seus dias de consulta McGuire pergunta o que ele quer fazer. Pergunta difícil essa né... muitos de nós não sabe responder, ficamos perdido entre varias profissões sem se satisfazer.
Chuckie fala com Will que qualquer um daqueles pedreiros dariam tudo para ficar no lugar dele, e ainda diz que a sua maior alegria seria o dia em que ele batesse em sua porta e ele não estaria mais em casa. Uma grande prova de amizade, pois ele sabia que seu amigo tinha uma grande oportunidade pela frente e talvez uma dessas oportunidades lhe daria a felicidade que todos queremos. Outra prova de amizade, é o presente que ele e mais dois amigos dão para Will, um carro montado por eles mesmos, afinal eles não tinham condição de comprar um carro novo, mas são nos pequenos gestos que estão as maiores provas de amizade.
Porém o que mais me chamou  a atenção nesse filme não foi a bela atuação, nem o belo roteiro, nem o fato de um jovem pobre sem estudos ter uma inteligência acima da média. O que mais chama a atenção são os diálogos entre Will e  McGuire, é uma verdadeira lição de amor. O jeito que McGuire fala de sua esposa  e do amor é de contagiar. Uma parte que guardei bem foi quando ele diz que os pequenos defeitos se tornam as maiores qualidades, para mim esse é o grande segredo de uma relação feliz, saber conviver e até rir com os defeitos do seu parceiro, ninguém é perfeito porém não é por isso que precisamos fazer dos defeitos um motivo para brigar.
Outra lição que ele deixa é quando ele conta do seu primeiro encontro com sua esposa e fala que perdeu um grande jogo para poder conhecer a mulher de sua vida e que não se arrependeu, lição essa que seu aluno aprendeu muito e foi capaz de largar um emprego milionário para correr atrás de seu amor. Afinal não podemos nos arrepender de coisas que nos deixam feliz, e para isso basta uma decisão e que um dia todos temos que tomar, é um momento difícil, porém se a decisão for a certa vamos colher frutos durante o resto da vida, por esse momento eu tive que passar e se um dia alguém me perguntar se me arrependo de alguma coisa posso dizer como McGuire... eu me arrependeria se não pudesse ter tido a chance de te conhecer, enfim se hoje sou feliz é em grande parte por sua causa.